Petrobras aumenta querosene de aviação em 55% e diesel em 12%; estatal atribui reajustes à alta do petróleo
Petrobras e distribuidoras divergem sobre o impacto real ao consumidor, enquanto o governo zera imposto sobre diesel para conter os preços.
O querosene de aviação ficou 55% mais caro para as distribuidoras a partir de 1º de abril, num reajuste que a Petrobras aplica mensalmente por contrato. Em Ipojuca, na região metropolitana do Recife, o litro passou de R$3,49 para R$5,40. Se esse custo vai chegar às passagens aéreas, e em quanto, ainda não sabemos. O diesel já tinha subido 11,6% em março, um dia depois de o governo zerar o PIS/Cofins sobre o combustível. A presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, disse que o aumento teria sido de R$0,70 por litro sem as medidas do governo, e atribuiu o reajuste à guerra no Oriente Médio. Vale registrar que Chambriard é indicada pelo governo, o que pode influenciar esse enquadramento. O ponto é: as três principais contradições desta história apontam na mesma direção. O governo diz que não interfere nos preços da Petrobras, mas zerou impostos para conter um aumento que a estatal anunciou no dia seguinte. A Petrobras estima impacto de R$0,06 por litro no diesel ao consumidor final, mas distribuidoras contestam esse número porque a isenção fiscal não cobre o componente de biodiesel da mistura. E a Refina Brasil, associação de refinadores privados, argumenta que os preços domésticos ainda estão abaixo da paridade de importação, pressionando por novos reajustes. O petróleo Brent atingiu seu nível mais alto desde janeiro de 2025, impulsionado por tensões no Estreito de Ormuz. Tudo indica que a pressão sobre os combustíveis não terminou.
- Lula afirmou que a Petrobras decide sozinha sobre preços; o governo, porém, zerou impostos sobre diesel e lançou pacote de medidas para conter o reajuste anunciado no dia seguinte pela estatal
- A Petrobras estima impacto de R$0,06 por litro ao consumidor no diesel; distribuidoras contestam, dizendo que a isenção fiscal não cobre o componente de biodiesel da mistura obrigatória
- A Refina Brasil argumenta que os preços domésticos estão abaixo da paridade de importação; a presidenta da Petrobras enquadra a situação como um sucesso do pacote governamental ao reduzir o aumento de R$0,70 para R$0,38 por litro
- Se e quanto o aumento do QAV vai se refletir nas passagens aéreas
- Por quanto tempo o governo vai manter a isenção de PIS/Cofins sobre o diesel
- Qual o custo fiscal total das medidas do governo para conter os preços
- Se a Petrobras vai reajustar a gasolina, dado o gap estimado de R$0,29 por litro em relação à paridade de importação
- Se os preços do leilão de GLP de 31 de março serão repassados ao consumidor no botijão
A declaração do presidente Lula de que a Petrobras decide sozinha sobre preços foi reportada apenas pela Agência Brasil, veículo estatal, sem corroboração independente. Não conseguimos confirmar essa afirmação por outras fontes.